Eu sempre achei que as pessoas deveriam ser mais solidárias e menos egoístas, que o mundo deveria ser mais justo, que as pessoas deveriam respeitar umas as outras e que amar deveria ser no mínimo uma obrigação a ser cumprida por todos. Todas as vezes que eu via alguém sendo injustiçado eu partia em defesa dele, muitas vezes sem medir as conseqüências de tal ato. Quando me sentia desrespeitada ou pensava que estava sendo passada para trás eu logo partia para a briga entendendo que se eu agisse dessa forma faria com que as pessoas me respeitassem, me ouvissem e me dessem razão. No entanto, o que colhi com essas atitudes foram interpretações distorcidas acerca da minha pessoa e das minhas intenções, além do não respeito e uma certa esquiva das pessoas em algumas situações.
O engraçado é que mesmo os meus objetivos e minhas regras de convivência não sendo cumpridos eu ainda tinha a sensação de estar sendo feita a justiça. Eu muitas vezes nem me apercebia de o quanto consumida ficava pela raiva e rejeitava ver o mau que me fazia tal sentimento. A sorte é que essas situações não eram uma constante, senão eu estaria sem amigos e sozinha.

Assim como eu muitas pessoas agem quase que impulsivamente querendo impor o que acham de direito, entendendo que o mundo “deveria” agir e ser da forma como elas entendem que seria o certo.  No entanto, percebo que a obrigação estipulada pelas palavras “deveria” ou “tinha” estava me consumindo de tal forma que nem mesma, muitas vezes, conseguia cumprir as minhas próprias regras. Eu Posso querer ou desejar a solidariedade, o respeito, e o amor mas não posso obrigar as pessoas a agirem dessa forma. É preciso entender que se quero que o outro seja solidário tenho que ensiná-lo, mostrar-lhe as vantagens de tal atitude e não obrigá-lo. Pois se quiser obrigá-lo ele provavelmente resistirá e continuará cada vez mais egoísta. Se eu quero que as pessoas me respeitem e sejam justas comigo, é preciso respeitá-las ao invés de brigar, pois brigando estarei desrespeitando-as e assim elas nunca me darão ouvidos. É possível que mesmo agindo assim ainda nos deparemos com a resistência de muitos, mas pelo menos eu ficarei com a sensação de dever cumprido, só que sem ter que lidar com inimizades.

A palavra “deveria” funciona na nossa cabeça de forma a nos dar uma falsa sensação de controle sobre o outro o que nos faz agir exigindo o cumprimento de uma regra nossa pelo outro. Quando trocamos a palavra “deveria” pela palavra “gostaria” ficamos mais realistas, pois reconhecemos a possibilidade do outro não pensar como nós. O gostaria é um desejo e não uma obrigação e com isso o fardo se torna mais leve para nós.
Esse não é um exercício fácil, mas é um exercício muito útil e recompensador. Quanto mais eu faço essa troca mais perto dos meus objetivos eu chego e me sinto feliz por isso. Podemos lutar por um mundo melhor sem precisar brigar, espernear e agredir. Pois a agressão não torna nada melhor só piora. Não precisamos agredir sempre que queremos nos defender. Isso não significa que não podemos nos indignar. Podemos sim ficar indignados e fazendo a nossa parte. Pois se deixássemos de nos indignar com a roubalheira e falta de ética dos nossos políticos, por exemplo, estaríamos dando a eles um aval para agirem cada vez mais sem responsabilidade. Podemos nos indignar, agindo assertivamente, buscando a solução que nos cabe, sem a expectativa sobre o outro, fazendo a nossa parte, divulgando os bons e enaltecendo esses tipos de comportamento, premiando as boas ações e apenas noticiando sobre os maus, sem grande alarde.
Só para concluir vou colar um email que recebi esses dias:
” SER FELIZ OU TER RAZÃO ? ”

Para reflexão…
Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos. O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair. Ele conduz o carro.. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado. Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados. Mas ele ainda quer saber: – Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais… E ela diz: – Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!

MORAL DA HISTÓRIA:

Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não. Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais freqüência: ‘Quero ser feliz ou ter razão?’ Outro pensamento parecido, diz o seguinte: ‘Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam.

Eu já decidi… EU QUERO SER FELIZ e você?